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	<title>Setaro's Blog</title>
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		<title>Setaro's Blog</title>
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		<title>A permanência de &quot;Ladrões de bicicleta&quot;</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2011 09:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>setaro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Muito mais do que uma data comemorativa, os 63 anos de &#8220;Ladrões de bicicleta&#8221; (&#8220;Ladri di biciclette&#8221;, 1948), que se completam neste 2011, que já se encontra no ocaso,&#160;refletem a dimensão temporal de um marco do neo-realismo italiano que modificou profundamente a maneira de se fazer cinema. Sobre ser um filme que ultrapassa o documento [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=setaro.wordpress.com&amp;blog=1738047&amp;post=9059&amp;subd=setaro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a href="http://setaro.files.wordpress.com/2011/11/bicicleta.jpg" style="margin-left:1em;margin-right:1em;"><img border="0" height="640" src="http://setaro.files.wordpress.com/2011/11/bicicleta.jpg?w=446&#038;h=640" width="446" /></a></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Muito mais do que uma data comemorativa, os 63 anos de &#8220;Ladrões de bicicleta&#8221; (&#8220;Ladri di biciclette&#8221;, 1948), que se completam neste 2011, que já se encontra no ocaso,&nbsp;refletem a dimensão temporal de um marco do neo-realismo italiano que modificou profundamente a maneira de se fazer cinema.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong></strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Sobre ser um filme que ultrapassa o documento de uma época, para se revelar um monumento divisor-de-água do cinema moderno, pleno de um humanismo desaparecido da cinematografia contemporânea, esta obra de autoria de Vittorio De Sica (diretor) e Cesare Zavattini (roteirista) oferece à história do cinema não somente uma evolução como também, e principalmente, um modelo que iria influenciar sobremaneira toda a geração de realizadores posteriores.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Talvez o Cinema Novo não existisse sem o neo-realismo italiano, assim como o Free Cinema inglês e outras manifestações referentes a uma nova postura diante da realidade, uma inédita representação do real. O neo-realismo tem tanta força que influencia até os dias atuais o cinema no mundo (a maioria dos filmes que se faz no Irã que outra característica tem senão o forte acento neo-realista?).</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Por outro lado, é verdade que o ponto de partida neo-realista (sem falar dos seus precursores) é &#8220;Roma, cidade aberta&#8221; (&#8220;Roma, città aperta&#8221;), de Roberto Rossellini, que data de 1945. Esta obra, de um mestre renovador (que instaurou, nos anos 50, ao lado de Michelangelo Antonioni, a desdramatização e a liberdade em relação ao &#8220;roteiro de ferro&#8221;), não possui, entretanto, com o passar dos anos, a mesma atualidade, a mesma envolvência, o mesmo espanto que ainda causa, nos dias de hoje, &#8220;Ladri di biciclette&#8221;. &#8220;Roma, città aperta&#8221; é um grande filme, um momento de extrema urgência para o realismo cinematográfico, mas um filme circunscrito aos fatos da época ou, numa palavra, datado.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>O neo-realismo (termo criado pelo esteta Umberto Barbaro) caracteriza um cinema que procura focalizar a realidade de um momento histórico, qual sejam as condições de vida na Itália logo após o término da Segunda Guerra Mundial. Na década de 40, o cinema era Hollywood, o &#8220;star-system&#8221; (o sistema de astros e estrelas), o &#8220;system-studio&#8221; (o sistema de estúdios), com o predomínio do cinema de gênero e os filmes todos feitos nos interiores dos estúdios.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Nos postulados de Zavattini, havia a necessidade de os realizadores cinematográficos abordarem a realidade &#8220;in loco&#8221; sem enfeites, com as filmagens nas ruas, na cidade. Seu manifesto do &#8220;descer às ruas&#8221; é eloqüente nesse sentido, além de, também, procurar dar ênfase ao humanismo. A utilização de atores não-profissionais tinha a função de desglamurizar o espetáculo cinematográfico.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Do interior hollywoodiano, passava-se ao exterior das ruas de Roma, e, por extensão, das ruas de todas as cidades cujos cineastas apostaram na concepção neo-realista do cinema. A influência desta vai até ao cinema de Hitchcock (cineasta, por excelência, de estúdio), que, com &#8220;O homem errado&#8221; (&#8220;The wrong man&#8221;), filmado em Nova York, adere, ainda que por pouco tempo e por um único filme, à necessidade de representar o homem no seu &#8220;habitat&#8221; natural.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Claude Beylie, exegeta francês, disse que &#8220;Ladri di biciclette&#8221; é uma parábola sobre a solidariedade humana, chegando a compará-lo a uma obra-prima inconteste do cinema: &#8220;Em busca do ouro&#8221; (&#8220;The gold rush&#8221;, 1925), de Charles Chaplin. E disse mais sobre este filme &#8220;sessentão&#8221;: &#8220;Sob a máscara da constatação objetiva de um país arruinado pela guerra,&#8221; Ladrões de bicicleta&#8221;, como, mais tarde, &#8220;Milagre em Milão&#8221; (1951) e &#8220;Umberto D&#8221; (1952) &#8211; todos de DeSica, denuncia, na verdade, a impotência das instituições para resolverem dignamente os dramas do proletariado&#8221;.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Ettore Scola, em 1974, com seu poético &#8220;Nós que nos amávamos tanto&#8221; (&#8220;C&#8217;eravamo tanto amanti!&#8221;) faz alusão a este filme de Vittorio DeSica através de um crítico de cinema que o tem como um de seus filmes preferidos e chega, inclusive, a participar de um programa de televisão para responder sobre o método que o diretor empregou para fazer o filho do operário, Enzo Staiola, chorar. A sua resposta, porém, não o faz vencedor, mas anos mais tarde, vem assistir ao próprio DeSica (em sua última aparição nas telas) contar como fez para extrair a emoção de seu pequeno personagem.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Em Roma, um operário desempregado (Lamberto Maggiorani) consegue um emprego para o qual é preciso possuir uma bicicleta. Para consegui-la, sua mulher penhora seus bens domésticos, mas logo no primeiro dia do trabalho a bicicleta lhe é roubada. O filme é a história da busca do veículo até que, ao constatar que este é praticamente irrecuperável, o operário decide, por sua vez, roubar uma bicicleta em dia de muita agitação às portas de um estádio de futebol. Mas é surpreendido e recriminado por seu filho, com o qual, lado a lado, efetuou a procura de seu instrumento de trabalho.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:&quot;"><strong>Há, evidente, e ao contrário do esquema narrativo &#8220;in crescendo&#8221; hollywwodiano, uma certa desdramatização do tema, com os atores e cenários naturais, inseridos num contexto social determinado. A busca é um pretexto para a exposição das mazelas deixadas pela guerra recém-findada. O que faz de &#8220;Ladri di biciclette&#8221; uma obra tão expressiva e de impressionante atualidade é que os personagens são seres vivos (atualmente na maioria dos filmes oriundos da industrial cultural de Hollywood os personagens são títeres e meros condutores da ação). E a cenografia está eleita por um critério tal que transcende o mero naturalismo para se converter em verdadeiro elemento expressivo.</strong></span></div>
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		<title>Em homenagem ao grande Ildásio Tavares</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 14:09:00 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a href="http://setaro.files.wordpress.com/2011/11/digitalizar0001_artigo_de_ildasio_tavares_-cascalho.jpg?w=120" style="margin-left:1em;margin-right:1em;"><img border="0" src="http://setaro.files.wordpress.com/2011/11/digitalizar0001_artigo_de_ildasio_tavares_-cascalho.jpg?w=120" /></a></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#cc0000;font-family:&quot;"><strong>Publico aqui uma coluna original de Ildásio Tavares, grande poeta, intelectual, e escritor baiano já falecido, que fala de <em>Cascalho</em>, de Tuna Espinheira. O recorte, de 2005,&nbsp;que saiu no jornal soteropolitano Tribuna da Bahia, &nbsp;já está até amarelado. O móvel da publicação é uma homenagem a Ildásio, que conheci quando ainda pertencente ao reino dos vivos, mas, de quebra, também não deixa de ser uma homenagem a Tuna, ainda que bem vivo &#8211; e que continua <em>avexado</em> para concluir seu filme sobre Anísio Teixeira, que o Fundo de Cultura rejeitou. </strong></span></div>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/setaro.wordpress.com/9055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/setaro.wordpress.com/9055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/setaro.wordpress.com/9055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/setaro.wordpress.com/9055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/setaro.wordpress.com/9055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/setaro.wordpress.com/9055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/setaro.wordpress.com/9055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/setaro.wordpress.com/9055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/setaro.wordpress.com/9055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/setaro.wordpress.com/9055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/setaro.wordpress.com/9055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/setaro.wordpress.com/9055/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/setaro.wordpress.com/9055/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/setaro.wordpress.com/9055/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=setaro.wordpress.com&amp;blog=1738047&amp;post=9055&amp;subd=setaro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ernesto Geisel e &quot;Dona Flor&quot;</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2011 09:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>setaro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[1) Luiz Carlos Barreto, numa longa entrevista à TV Senado, conta a sua trajetória de homem de cinema e, lá pelas tantas, fala de Dona Flor e seus dois maridos, o maior sucesso de bilheteria de todos os tempos baseado em romance homônimo de Jorge Amado e dirigido por seu filho, Bruno Barreto. O ano, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=setaro.wordpress.com&amp;blog=1738047&amp;post=9053&amp;subd=setaro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:justify;"></div>
<div class="separator" style="clear:both;text-align:justify;"><span style="clear:left;color:#073763;float:left;font-family:Georgia, &quot;margin-bottom:1em;margin-right:1em;"><img border="0" height="640" src="http://setaro.files.wordpress.com/2011/11/donaflor.jpg?w=444&#038;h=640" width="444" /></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">1) Luiz Carlos Barreto, numa longa entrevista à TV Senado, conta a sua trajetória de homem de cinema e, lá pelas tantas, fala de <em>Dona Flor e seus dois maridos</em>, o maior sucesso de bilheteria de todos os tempos baseado em romance homônimo de Jorge Amado e dirigido por seu filho, Bruno Barreto. O ano, 1976, a ditadura militar exercia poderosa censura sobre todos os filmes. E implicou com <em>Dona Flor</em>. Queria proibi-lo. Barreto foi à Brasília tentar convencer os censores, mas tudo em vão.</span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;"></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">2) De repente, ao sair de um ministério, encontra, por acaso, Amália Lucy, filha de Ernesto Geisel, o general de plantão, a quem se atribui o dito de Chico Buarque de Holanda (&#8220;você não gosta de mim, mas sua filha gosta¿). Barreto já conhecia Amália, e ela, surpresa, perguntou o que ele estava a fazer em Brasília. O produtor disse a ela que <em>Dona Flor e seus dois maridos</em> tinha sido proibido pela censura. Mas por quê? indagou a filha do general, que manifestou desejo de ver o filme. </span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">3) Barreto marcou um encontro numa sala de exibição brasiliense e projetou &#8220;Dona Flor&#8221; para Amália Lucy. No final, ela revelou a ele ter gostado muito do filme e não via razão para ser proibido. E disse a Barreto: &#8220;Quem gostaria muito de ver seria meu pai, pois ele gosta dos romances de Jorge Amado&#8221; O célebre produtor, surpreso, ia dizer alguma coisa, quando ela o interrompeu: &#8220;Você não conhece meu pai. Vamos marcar uma sessão no Palácio do Planalto. Marcada a exibição, Barreto entrou meio constrangido para projetá-lo para Geisel e encontrou uma sala toda equipada para a sessão especial, com farta distribuição de &#8216;scotch¿ e salgadinhos. </span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">4) Barreto conta que Ernesto Geisel, durante o transcorrer da projeção, riu muito e, no final, congratulou-o por ter feito um filme ágil e engraçado. Disse que entraria imediatamente em contato com o Ministério da Justiça para a liberação de <em>Dona Flor.</em></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">5) <em>Dona Flor e seus dois maridos</em> foi filmado em Salvador em 1975 e me lembro de ter acompanhado a filmagem de uma cena no Largo da Palma. Terceiro filme do jovem Bruno Barreto, que tinha em torno de 20 anos (o primeiro, <em>Tati, a garota,</em> baseado em Anibal Machado, o segundo, A estrela sobe, segundo Marques Rabelo), &#8220;Dona Flor&#8221; foi lançado no Brasil inteiro e na Bahia em mais de seis salas simultaneamente. Sucesso imenso, filas quilométricas. Mas aconteceu um fato peculiar. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">6) Programado para ser exibido em seis salas, na segunda (dia em que os lançamentos entravam em cartaz), o distribuidor da Embrafilme somente tinha recebido em seu escritório apenas cinco cópias e não haveria tempo hábil para mandar buscar a que faltava. Mas, de repente, surgiu uma idéia. A cópia do cinema Bahia poderia ser exibida também no Tamoio, sala perto daquela. Para funcionar, no entanto, era preciso que os horários fossem diferentes. Naquela época, um filme de longa-metragem tinha, a depender de sua duração, cinco, seis latas, contendo, cada uma, um rolo ou carretel. Exibido o primeiro rolo no Bahia, um funcionário da Embrafilme corria para levá-lo ao Tamoio. E assim sucessivamente. </span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">7) Apesar de Barreto ter contado que Geisel tinha ordenado a liberação do filme, o que, realmente, aconteceu, a minha memória me diz que houve o corte de uma cena, quando há um coito anal entre José Wilker e Sonia Braga. Mais de 20 anos depois, quando o filme foi relançado em cópias novas, a cena cortada foi reposta. Se, em 1976, <em>Dona Flor e seus dois maridos </em>foi um êxito sem precedentes, quando do seu relançamento, duas décadas passadas, revelou-se um fracasso retumbante no mercado exibidor. </span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">8) Sonia Braga tinha feito uma Gabriela maravilhosa para uma novela da Globo e o seu aproveitamento como outra personagem amadiana, a Dona Flor, deu muito certo, a ponto do próprio escritor ficar encantado com ela. Poucos anos depois, 1982/83, Barreto a dirige numa produção internacional no papel de Gabriela, mas o filme não soube captar, com a desenvoltura necessária, a crônica de uma cidade de interior que é Gabriela, cravo e canela. No elenco, Marcello Mastroianni. Mas nem mesmo assim conseguiu as graças do público. </span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">9) Em <em>Dona Flor e seus dois maridos</em>, além da de Wilker e Braga, destaca-se a primorosa interpretação de Mauro Mendonça, como o segundo marido de Flor. O primeiro, Vadinho/Wilker, farrista, boêmio, morre de repente num domingo de Carnaval, mas o seu espírito reaparece a tentar a bela Dona Flor. Um triângulo amoroso com acentos espíritas, um &#8220;ménage-a-trois&#8221; atípico, portanto. </span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#073763;font-family:Georgia, &quot;">10) A trilha musical é funcional e eficiente a cargo de Francis Hime. E há, ainda, a letra e música de Chico Buarque de Holanda na interpretação de Simone (O que será, o que será&#8230;). Murilo Salles, antes de se tornar realizador, é o diretor de fotografia e, no elenco, vários atores baianos como Nilda Spencer, Mário Gusmão, Dinorah Brillanti, Haydil Linhares, João Gama, Wilson Mello, entre outros. Nesta época, meados dos anos 70, a Bahia virou &#8220;décor&#8221; de alguns filmes, entre os quais Tenda dos milagres, de Nelson Pereira dos Santos, também baseado em romance homônimo de Jorge Amado. Nelson, porém, o grão-duque do cinema brasileiro, se tem resultados excelentes quando faz adaptação de Graciliano Ramos (Vidas secas, <em>Memórias do cárcere</em>) não consegue transferir os romances do escritor baiano para um resultado cinematográfico convincente (<em>Tenda dos mila</em>gres é melhor, mas <em>Jubiabá</em> decepcionante, ainda que com a ajuda de capital internacional &#8211; ou talvez por isso). </span></div>
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		<title>Rosa Espinheira abraça Zé do Caixão</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 14:23:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>setaro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A bela filha do avexado cineasta baiano Tuna Espinheira, Rosa, entrevistou José Mojica Marins, o famoso Zé do Caixão. Espinheira, autor de Cascalho, que passou no Canal Brasil, encontra-se coletando dados para um documentário precioso sobre Anísio Teixeira, que, segundo parece, não foi aprovado pelo chamado fundo de cultura do estado. Se é fundo de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=setaro.wordpress.com&amp;blog=1738047&amp;post=9046&amp;subd=setaro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a href="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/rosaez25c325a9docaix25c325a3o.jpg" style="margin-left:1em;margin-right:1em;"><img border="0" height="300" src="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/rosaez25c325a9docaix25c325a3o.jpg?w=400&#038;h=300" width="400" /></a></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#660000;font-family:Georgia, &quot;"><strong>A bela filha do <em>avexado</em> cineasta baiano Tuna Espinheira, Rosa, entrevistou José Mojica Marins, o famoso Zé do Caixão. Espinheira, autor de <em>Cascalho</em>, que passou no Canal Brasil, encontra-se coletando dados para um documentário precioso sobre Anísio Teixeira, que, segundo parece, não foi aprovado pelo chamado fundo de cultura do estado. Se é fundo de cultura, e também considerando a <em>folha corrida</em> do requerente, que há décadas faz filmes, o fundo, na verdade, não pode ser cultural, mas alguma outra coisa. De qualquer maneira, Espinheira, que nunca dorme de touca, vai em frente na esperança de ver, logo, concluído o seu importante registro documental. Torço por você, meu velho, e aqui, deste reduto, faço minha a sua indignação pela reprovação havida nesse fundo, que é, na verdade, um fundo destinado mais à ação dos amigos e outros que tais, <em>assim é se me parece</em>, como diria Pirandello.</strong></span></p>
<p><strong><span style="color:#660000;font-family:Georgia;">O velho Tuna mandou uma mensagem para os seus amigos. Ei-la sem retoques nem maquiagem:</span></strong><br /><span style="color:#660000;font-family:Georgia;"><em>Gente, </em></span><br /><em></em><br /><em><span style="color:#660000;font-family:Georgia, &quot;">Uma ajudada prometida pelo IRDEB dizia respeito ao lançamento, daí meu pedido ao Pola/Sofia. Meu compromisso com a obra de Herberto Sales e com o dinheiro público que bancou a produção, eram coisas sagradas pra mim. Jamais deixei o vagão correr solto, estive, estou e estarei, sempre pelejando para que, o filme CASCALHO, seja arrastado para o ossuário geral da utopias. Tive o projeto do DVD do filme, vetado pelo Fundo de Cultura, sem qualquer explicação. Batalhei e um ano e meio depois consegui pela Assembléia Legislativa. Talvez eu tenha o nome morfético nas engrenagens do famigerado FUNDO&#8230; agora excluíram meu projeto sobre Anísio Teixeira, eles, os mesmos que permanecem lá, sem largar o osso. Se, como diz a sabedoria popular: ninguém é profeta em sua terra, quanto mais na Bahia. Mas sou de Capricórnio e tenho o corpo fechado&#8230; Eles passarão&#8230; (M.Q.) </span></em><br /><em><span style="color:#660000;font-family:Georgia, &quot;">Abs </span></em><br /><em><span style="color:#660000;font-family:Georgia, &quot;">Tuna</span></em></div>
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		<title>&quot;Os homens que não amavam as mulheres&quot;: &#8216;thriller&#8217; surpreendente</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Oct 2011 04:07:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>setaro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a href="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/oshomensquen25c325a3oamavamasmulheres.jpg" style="margin-left:1em;margin-right:1em;"><strong><img border="0" height="266" src="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/oshomensquen25c325a3oamavamasmulheres.jpg?w=400&#038;h=266" width="400" /></strong></a></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;"><strong><em>Thriller</em> surpreendente, de impacto, <em>Os homens que não amavam as mulheres (Män Som Hatar Kvinnor</em>, 2009), de Niels Arden Oplev, com os não menos surpreendentes Michael Nyqvist e&nbsp;Naomi Rapace (que estão na foto). Produção sueca, o filme se baseia no best-seller <em>Millenium</em> e possui um ritmo desenvolto capaz de criar uma tensão inusitada, como um fio elétrico que estivesse instalado na sua estrutura narrativa. Um jornalista investigativo de uma revista famosa é condenado por denunciar um empresário corrupto baseando-se em provas falsas (na verdade plantadas para incriminá-lo). Antes de começar a cumprir a pena, no entanto, é convidado por um aristocrata milionário que o contrata para investigar o que aconteceu com uma sobrinha, que parece que foi assassinada há mais de quarenta anos. A família do aristocrata é dona de uma empresa e seus familiares vivem uma harmonia hipócrita por causa dos negócios. O velho tem vários irmãos e a sobrinha desaparecida (ou morta) era a sua preferida e provável herdeira de seus bens. O jornalista se transfere para a cidade fria onde ocorrera o suposto assassinato e, na sua busca, encontra uma <em>punk</em>, verdadeiro gênio da informática, uma <em>hacker</em> de primeira, que saiu de clínica psiquiátrica e se encontra sob custódia de um tutor. Ela é a talentosa Naomi Rapace e ele, o jornalista, o excelente Michael Nyqvist.</strong></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;"><strong>No que se propõe o diretor Oplev, o resultado obtido por <em>Man Som Hatar Kvinnor</em> é excelente, acima da média dos <em>thrillers</em> que são dados a ver no circuito comercial. Não vi o filme nos cinemas, mas o peguei, <em>au hasard</em>, numa locadora de DVD. Sem nenhuma informação prévia, fiquei admirado com a competência de Oplev. Tudo é ritmo, pulsação, suspense, interesse contínuo, e, ainda de sobra, um olhar nada romântico sobre a triste perversão humana.</strong></span></div>
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		<title>&quot;Dawson Ilha 10&quot; já está chegando</title>
		<link>http://setaro.wordpress.com/2011/10/29/dawson-ilha-10-ja-esta-chegando/</link>
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		<pubDate>Sat, 29 Oct 2011 11:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>setaro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dawson Ilha 10 (Dawson Isla 10), do consagrado realizador chileno Miguel Littin, tem seu lançamento nacional marcado para novembro. O filme, na tradição do excelente cinema político do autor, mostra a agonia dos ministros depostos de Salvador Allende pela fúria do General Pinochet, que são levados para uma ilha gelada no extremo sul do Chile. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=setaro.wordpress.com&amp;blog=1738047&amp;post=9039&amp;subd=setaro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"></div>
<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a href="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/newsdawson3.gif" style="margin-left:1em;margin-right:1em;"><img border="0" height="640" src="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/newsdawson3.gif?w=506&#038;h=640" width="506" /></a></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#4c1130;font-family:Georgia, &quot;"><strong><em>Dawson Ilha 10 (Dawson Isla 10</em>), do consagrado realizador chileno Miguel Littin, tem seu lançamento nacional marcado para novembro. O filme, na tradição do excelente cinema político do autor, mostra a agonia dos ministros depostos de Salvador Allende pela fúria do General Pinochet, que são levados para uma ilha gelada no extremo sul do Chile. O versátil Bertrand Duarte faz a sua estreia como ator internacional, e, segundo os comentários de pessoas que já viram o filme, dá, como de hábito, um show de interpretação. O filme também assina a participação de José Walter Pinto Lima como um dos produtres com a sua empres VPL. Todos devem ficar atentos para não perdê-lo de vista.</strong></span></div>
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	</item>
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		<title>O semeador de orquestras</title>
		<link>http://setaro.wordpress.com/2011/10/28/o-semeador-de-orquestras/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 15:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>setaro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O jornalista Jorge Ramos, um dos mais cultos da Bahia, publicou recentemente um livro no qual cita o velho e avexado cineasta Tuna Espinheira, como se pode ler na imagem acima. É bom dar um clique nela porque aumenta de tamanho. Do fundo do baú, Tunático caça imagens e as dá à luz das imagens [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=setaro.wordpress.com&amp;blog=1738047&amp;post=9035&amp;subd=setaro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a href="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/digitalizar0001.jpg" style="margin-left:1em;margin-right:1em;"><img border="0" height="640" src="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/digitalizar0001.jpg?w=486&#038;h=640" width="486" /></a></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#20124d;font-family:&quot;"><strong>O jornalista Jorge Ramos, um dos mais cultos da Bahia, publicou recentemente um livro no qual cita o velho e <em>avexado</em> cineasta Tuna Espinheira, como se pode ler na imagem acima. É bom dar um clique nela porque aumenta de tamanho. Do fundo do baú, Tunático caça imagens e as dá à luz das imagens em movimento, quer dizer, do cinema. </strong></span></div>
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		<title>O dia em que conheci Rubem Biáfora</title>
		<link>http://setaro.wordpress.com/2011/10/27/o-dia-em-que-conheci-rubem-biafora-4/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 10:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>setaro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dezembro de 1979. Nesta época, estava no Rio de Janeiro e precisei ir a São Paulo resolver um negócio. Hospedei-me no Hotel Central, que fica na Avenida São João. Mas não pude solucionar a questão que me levou a SP pelo fato de a pessoa, com a qual deveria me encontrar, ainda que combinado o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=setaro.wordpress.com&amp;blog=1738047&amp;post=9032&amp;subd=setaro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a href="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/rubembiaforea.jpg" style="margin-left:1em;margin-right:1em;"><img border="0" height="640" src="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/rubembiaforea.jpg?w=422&#038;h=640" width="422" /></a></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#274e13;font-family:Georgia, &quot;">Dezembro de 1979. Nesta época, estava no Rio de Janeiro e precisei ir a São Paulo resolver um negócio. Hospedei-me no Hotel Central, que fica na Avenida São João. Mas não pude solucionar a questão que me levou a SP pelo fato de a pessoa, com a qual deveria me encontrar, ainda que combinado o encontro, teve de viajar de repente. Assim, restei-me sozinho, e sem fazer nada, no citado hotel. Comentarista cinematográfico diário do jornal Tribuna da Bahia, lembrei-me de ter recebido uma carta do cineasta Juan Bajon (que não conhecia) sobre o lançamento de seu filme, O estrangulador de mulheres, em Salvador. Visto o filme, e considerando a gentil missiva, recortei a página, na qual estava estampada minha crítica, e a mandei ao realizador, pois tinha gostado do filme, principalmente pelo seu lado bizarro e insólito (enterro de baratas etc). E, vale ressaltar, nunca enviei nada para ninguém. Nunca tive o hábito de recortar artigos para enviá-los. Mas, surpreendentemente, talvez pela carta pessoal &#8211; o que não é também hábito dos realizadores, bastando aos críticos os releases das distribuidoras. Bajon me respondeu em várias folhas datilografadas (naquele tempo computador era peça de Millor Fernandes). </span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#274e13;font-family:Georgia, &quot;"></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#274e13;font-family:Georgia, &quot;">Assim, no quarto do Hotel Central, vi, no criado-mudo, um grosso catálogo de telefone, e resolvi procurar o nome de Juan Bajon. Qual não foi a minha surpresa quando, achando-o, telefonei e ele, muito receptivo, disse-me que o esperasse em cinco minutos. Menos do que isso, o telefone toca me anunciado que, na portaria, tinha uma pessoa como o nome de Juan Bajon a me esperar. Desci e o encontrei. Um rapaz em torno de trinta anos, chinês, que me recebeu e maneira efusiva. Fomos a um bar na Avenida São João, e tomei algumas cervejas, ainda que Bajon não bebesse. Convidou-me, então, para almoçar no bairro da Liberdade, onde mora quase toda a colônia de nipônicos. Conversamos bastante e, de tarde, levou-me à rua do Triunpho, lugar do nascimento e estabelecimento da famosa Boca do Lixo, quando ele me apresentou a vários cineastas. Resolvi me sentar num daqueles bares, e, totalmente em ócio, continuei a tomar minhas cervejas, desfrutando do ambiente. A las cinco de la tarde, Juan Bajon se despediu, convidando para me levar ao hotel. Fiquei, no entanto, a continuar o processo etílico começado. Mas disse, taxativo, que iria, no outro dia, me apanhar às dez horas no hotel para irmos ao apartamento de Rubem Biáfora, que disse ser seu amigo. Gostei da idéia, pois Biáfora, para mim, aos 29 anos, era um mito. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#274e13;font-family:Georgia, &quot;">Durante a rolagem de pensamentos que ocorre sempre quando se bebe sozinho, achei que Bajon, apesar de simpático, era um anticomunista feroz. Esquerdista que era, não gostei muito disso. Contou-me que sua família, por burguesa, tinha sido massacrada pelas tropas de Mao-Tsé-tung. Estava, no entanto, mais preocupado em conhecer o famoso Biáfora. Fui para o hotel e ainda, neste, tomei, no quarto, mais cervejas, compradas em latas grossas na avenida &#8211; ainda não havia as latinhas leves e práticas. Acordei de ressaca pelo telefone, cujo recepcionista me informava da chegada de um tal de Juan Bajon. Falei com ele e pedi, desculpando-me, para que esperasse dez minutos, pois tinha, ainda, que tomar banho. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#274e13;font-family:Georgia, &quot;">Fomos andando para o apartamento do severo crítico. Antes de entrar, Bajon se dirigiu a um telefone público, comunicando a nossa subida. E ao sairmos do elevador, já estava Biáfora a nos esperar. Não podia acreditar: Gervásio Rubem Biáfora em pessoa. Entramos e ficamos a conversar. Biáfora me recebeu com muita gentileza e disse ter gostado de meu comentário sobre O estripador de mulheres. Percebi, então, que Bajon realmente tinha amizade com o crítico. Irônico, lembro-me que falou mal da frase de Paulo Emílio Salles Gomes, quando afirmou que o pior filme brasileiro era melhor do que qualquer filme estrangeiro, achando-a uma bobajada (sic). Não estou, aqui, fazendo juízo de valor nem concordando com o crítico, mas constatando fatos. Recordo-me que contou que dias atrás tinha ido a um cinema ver <em>Procura insaciável (Taking off</em>), de Milos Forman, com sua colega do Estado de São Paulo, Póla Vartuk &#8211; que já morreu, e ficou estupefato quando esta, na seqüência em que todos fumam maconha, engoliu as orelhas de tanto rir. Achou que uma senhora daquela idade não deveria ficar tão efusiva. Mas sempre rindo. Muita conversa rolou até que falei de Walter Hugo Khoury. Biáfora, então, disse que era seu vizinho e telefonou para ele a perguntar se poderia dar um pulo acompanhado de um jornalista baiano. Khoury concordou e pediu, apenas, meia hora, pois estava na banheira. Biáfora me disse que, quando o realizador de Noite vazia acordava, tinha o hábito de ficar na banheira por um bom período de tempo. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#274e13;font-family:Georgia, &quot;">Subindo o elevador, a porta deste se abre diretamente no apartamento de Khoury, não havendo, portanto, hall. Khoury nos recebeu no seu imenso espaço, e eu, Biáfora, Bajon, conversamos bastante, apesar de certo acanhamento característico de minha personalidade, que se poderia traduzir por timidez. De repente, de um dos quartos, aparece Sandra Bréa, que estava trabalhando com ele em <em>O convite ao prazer</em>. Finda a visita, estávamos já na rua, quando Biáfora nos convida para almoçar num restaurante italiano ali perto. Fomos. Iria viajar à meia-noite de ônibus para voltar ao Rio de Janeiro e já tinha fechado a conta no Hotel Central. Depois do almoço, resolvi me despedir para andar pelas ruas de São Paulo até o anoitecer, quando iria para a rodoviária esperar o ônibus. Ciente do fato, Biáfora, terminada a refeição, convidou-me para descansar um pouco em seu apartamento. Bajon, lembro-me, não nos acompanhou porque estava com um parente muito doente. Na entrada do prédio, o porteiro disse que tinha ali uma encomenda para ele. Era um álbum de fotografias americano, fotografias de atrizes famosas, as divas do cinema, como Greta Garbo, em imagens ricamente iluminadas. Já no apartamento, não tive vontade de descansar, e Biáfora me mostrou os cadernos manuscritos onde anotava os filmes que via, com fichas completíssimas, comentários, etc. Quando falei de minha admiração por Moniz Vianna, Biáfora, incontinenti, pegou do telefone e ligou para ele, que concordou em me receber quando estivesse no Rio. Perguntei como, antigamente, conseguia as fichas técnicas já que as distribuidoras não as forneciam assim tão completas. Disse-me que anotava tudo dentro do cinema. Via o filme e, depois, na outra sessão, ficava a anotar. </span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#274e13;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#274e13;font-family:Georgia, &quot;">Bem, para quem não sabe, Gervásio Rubem Biáfora foi um dos grandes críticos de cinema dos anos 50, 60 e 70. Também realizador, dirigiu, entre outros, dois filmes que merecem, porque muito bons, uma revisão: <em>Ravina</em> e <em>O quarto</em>, este último, para mim, o seu melhor trabalho, que foi injustamente desprezado pela crítica ideológica. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#274e13;font-family:Georgia;">P.S: Gustavo Dahl traça um excelente perfil de Rubem Biáfora nos dois últimos números da revista Filme/Cultura. Aqui: <a href="http://filmecultura.org.br/categoria/edicoes/">http://filmecultura.org.br/categoria/edicoes/</a>#</span></div>
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		<title>A miséria cultural baiana</title>
		<link>http://setaro.wordpress.com/2011/10/25/a-miseria-cultural-baiana-7/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2011 10:11:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>setaro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogroll]]></category>

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		<description><![CDATA[Diz-se que a Bahia já teve seu Século de Péricles, uma alusão ao período efervescente que se situou nos anos 50 e na primeira metade dos 60, quando Salvador congregava o que havia de mais criativo na expressão artística. Estimuladas pela ação da Universidade Federal da Bahia, comandada, e com mão de ferro, pelo Reitor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=setaro.wordpress.com&amp;blog=1738047&amp;post=9030&amp;subd=setaro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a href="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/retirantesportinari.jpg" style="margin-left:1em;margin-right:1em;"><img border="0" height="640" src="http://setaro.files.wordpress.com/2011/10/retirantesportinari.jpg?w=606&#038;h=640" width="606" /></a></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">Diz-se que a Bahia já teve seu Século de Péricles, uma alusão ao período efervescente que se situou nos anos 50 e na primeira metade dos 60, quando Salvador congregava o que havia de mais criativo na expressão artística. Estimuladas pela ação da Universidade Federal da Bahia, comandada, e com mão de ferro, pelo Reitor Edgard Santos, as artes desabrocharam com o surgimento do Seminário de Música, da Escola de Teatro, do Museu de Arte Moderna, dos inesquecíveis concertos na Reitoria, da porta da Livraria Civilização Brasileira na rua Chile, dos papos ao por do sol frente à estátua do Poeta, no bar e restaurante Cacique, dos debates calorosos da Galeria Canizares (no Politeama), da &#8220;boite&#8221; Anjo Azul (na rua do Cabeça), entre tantos outros pontos que faziam da Bahia um recanto pleno de engenho e arte. </span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;"></span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">Na Escola de Teatro, por exemplo, que, inicialmente, foi dirigida por Martim Gonçalves, montava-se, lá, de Bertolt Brecht, passando por Ibsen, Eugene O&#8217;Neill, entre tantos, a Strindberg, com um rigor inusitado, e tal era a excelência de seus espetáculos que vinham pessoas do sul do País, e até do exterior, vê-los encenados &#8220;in loco&#8221;. No curso de preparação de ator, o estudante levava alguns anos para poder participar de uma montagem teatral, iniciando a sua trajetória como um mordomo mudo ou de poucas falas. Somente ter o seu nome no programa da peça já era um prêmio, uma alegria, um consolo. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">O livro <em>Impressões Modernas &#8211; Teatro e Jornalismo na Bahia</em>, de Jussilene Santana, analisa a configuração do teatro como temática na imprensa baiana em meados do século XX e, pela primeira vez, faz justiça a Martim Gonçalves, o responsável pela excelência das montagens teatrais, criador da Escola de Teatro (que hoje tem o seu nome), mas muito criticado na sua época e até mesmo denegrido pelos opositores. Após a leitura deste livro imprescindível, a conclusão é única e inequívoca: sem Martim Gonçalves não se teria um teatro baiano do nível a que chegou, ainda que, décadas depois, tenha perdido todo o seu vigor, transformando-se num grande proscênio destinado à proclamação de &#8220;besteiróis&#8221;, honradas as exceções de praxe. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">Cinqüenta anos depois, meio século passado, a realidade cultural baiana é uma antípoda da efervescência verificada, uma época que foi chamada, inclusive, de &#8220;avant garde&#8221; pela sua disposição de inovar, pela marca de vanguarda da mentalidade de seus artistas e intelectuais. Atualmente, a Bahia regrediu muito culturalmente a um estado, poder-se-ia dizer, pré-histórico, e o &#8220;homo sapiens&#8221; do pretérito se transformou no &#8220;pithecantropus erectus&#8221; do presente. Aquele estudante do parágrafo anterior, por exemplo, não existe mais. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">Na Bahia miserável da contemporaneidade, qualquer um pode pular em cima de um palco, qualquer um se sente apto a dirigir uma peça, &#8220;mexer&#8221; com cinema, fazer filmes. Com as sempre presentes exceções de praxe, o teatro que se pratica na Bahia é um teatro besteirol, que faria corar aqueles que participaram da antiga escola de Martim Gonçalves. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">A Bahia não está apenas mergulhada em bolsões de pobreza, na violência diuturna e desenfreada, com seu povo excluído de tudo &#8211; e até mesmo dos cinemas, mas do ponto de vista cultural a miséria é a mesma. Miséria cultural, descalabro, ausência do ato criador, apatia, desinteresse. Eventos existem para a satisfação de pseudo-intelectuais que não possuem as bases referenciais necessárias para a compreensão do que estão a ver ou a ouvir. O momento presente, se comparado aos meados do século passado, assinala uma regressão cultural sem precedentes. Como disse Millor Fernandes, a cultura é regra, mas a arte, exceção, o que se aplica sobremaneira sobre o estado atual da cultura baiana. Cultura se tem em todo lugar, mas arte é difícil, e a arte baiana praticamente não existe. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">Com o desaparecimento dos suplementos culturais e o advento de normas editoriais que privilegiam o texto curto, além da incultura reinante pela assunção do império audiovisual em detrimento da cultura literária (vamos ser sinceros: ninguém hoje lê mais nada), a crítica cultural veio a morrer por falência múltipla das possibilidades de exercício da inteligência numa imprensa cada vez mais burra e superficial. </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">Sérgio Augusto, crítico a respeitar, que militou nos principais jornais cariocas, em entrevista ao &#8220;Digestivo Cultural&#8221;, site da internet (vale a pena lê-la na íntegra: http://www.digestivocultural.com/entrevistas/entrevista.asp?codigo=10), do alto de sua autoridade no assunto, afirmou que o jornalismo cultural está morto e enterrado, ressaltando que se fosse um jovem iniciante não entraria mais no jornalismo porque não vê, nele, perspectivas para a crítica de cultura (área de sua especialidade).</span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;"><br /><span style="font-family:Georgia, &quot;"></span></span></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">Dava gosto se ler o Quarto Caderno do Correio da Manhã com aqueles artigos copiosos, imensos, que abordando cultura e artes em geral, eram assinados por Paulo Francis, Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, José Lino Grunewald, Antonio Moniz Viana, entre tantos outros. A rigor, todo bom jornal que se prezasse tinha seu suplemento cultural. Aqui mesmo em Salvador, vale lembrar o do Diário de Notícias e o do Jornal da Bahia (em folhas azuis). Atualmente, resiste o Suplemento Cultural de A Tarde (mas, mesmo assim&#8230;). </span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">A inexistência da crítica de arte não diz respeito apenas ao soteropolitano. É uma constatação geral no jornalismo brasileiro. Mas, e os cadernos culturais e as ilustradas da vida? Caracterizam-se pela superficialidade e servem, apenas, como guia de consumo, com suas resenhas ralas. Atualmente, os cadernos dois, assim chamados, são até contraproducentes porque elogiam o que deveriam criticar, colocando na posição de artistas personalidades que deveriam, no máximo, estar no departamento de limpeza de estações rodoviárias.</span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">A crítica de arte serve justamente para isso: para, construtivamente, sem insultos, mas com argumentos sólidos, desmontar aquilo que não presta. Que falta não faz uma crítica de teatro séria, que, semanalmente, venha a apreciar o que se está a apresentar na cidade como literatura dramática! Ou uma crítica de artes plásticas. A interferência de um crítico faria corar muitos pintores que estão expondo na Bahia e posando como artistas. Assim também uma crítica de cinema que fosse menos paternalista com os &#8220;coitados&#8217; dos cineastas baianos cujas imagens são a de &#8220;franciscanos&#8221; em busca da expressão cinematográfica, mas cujos resultados, em sua grande maioria, remetem o espectador aos braços de Morpheu, quando não à aporrinhação.</span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia;">Para se ter um pequeno exemplo: a emissora de tv de maior audiência da Bahia apresenta todos os dias, em seu noticiário, grupos de pagode, de arrocha, entre outros, que passam a impressão de que os soteropolitanos não possuem talentos musicais &#8211; o que não é verdade.</span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:#0c343d;font-family:Georgia, &quot;">Se a miséria da cultura baiana é cristalina, a miséria da crítica cultural é, também, imensa. Que esmola pode ser dada para se acabar com ela?</span></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><span style="color:red;font-family:Georgia;">A imagem. <em>Retirantes</em>, de Portinari.</span></div>
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		<title>Para um domingo de encantamento</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Oct 2011 04:39:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>setaro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A magia do cinema do pretérito, uma certa ingenuidade e, diria mesmo, uma certa inocência, e um certo tipo de comédia, se perderam com o passar do tempo. Neste domingo, aqui chuvoso, nada melhor do que se sentir em plena década de 50, e dentro de um cinema de verdade, com dois mil lugares, vendo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=setaro.wordpress.com&amp;blog=1738047&amp;post=9028&amp;subd=setaro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#274e13;font-family:&quot;">A magia do cinema do pretérito, uma certa ingenuidade e, diria mesmo, uma certa inocência, e um certo tipo de comédia, se perderam com o passar do tempo. Neste domingo, aqui chuvoso, nada melhor do que se sentir em plena década de 50, e dentro de um cinema de verdade, com dois mil lugares, vendo um filme como<em> Artistas e modelos (Artists and Models, </em>1955), de Frank Tashlin, com Jerry Lewis, Dean Martin, Shirley MacLaine, Dorothy Malone. O final deste filme é puro encantamento pela sua simplicidade, pela sua poesia. Vejam, por exemplo, o ligeiro movimento de câmera que sai dos dois casais para uma igrejinha e, na volta, mostra-os já vestidos com a indumentária de casamento. Um primor. Tashlin introduziu o <em>cartoon</em> no cinema, e é um realizador importante, apesar de esquecido. Há, dele, uma comédia, além de muitas outras, evidentemente, antológica: <em>Em busca de um homem (Will success spoil Rock Hunter?,</em> 1957), que, inclusive, influenciou Billy Wilder em<em> Se meu apartamento falasse (The apartment</em>, 1960), que, nem por isso, deixou de ser uma prima obra.</span></strong></div>
<div style="text-align:justify;"></div>
<div style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#274e13;font-family:&quot;">Foi a partir de filme como <em>Artistas e modelos</em> que aprendi a amar o cinema.</span></strong></div>
<div style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#274e13;font-family:&quot;"></span></strong></div>
<div style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#274e13;font-family:&quot;"></span></strong></div>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://setaro.wordpress.com/2011/10/23/para-um-domingo-de-encantamento/"><img src="http://img.youtube.com/vi/qbqebNahfUs/2.jpg" alt="" /></a></span>
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